Estrela dançante

É preciso ter caos dentro de si,

para dar luz a uma estrela dançante..

10:49

O presidente e eu

Postado por Renata Cavalcanti Muniz |



Pequenos prazeres para estudantes de diplomacia....
Eu e o presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, em visita a minha escola.
Em 1996, ele dividiu o Nobel da Paz com Carlos Filipe Ximenes Belo pela resolução pacífica do conflito no Timor.
Em seu discurso, o presidente criticou sem medo os interesses que movem a ONU e o curto orçamento que eles receberam para reconstruir o país (segundo ele, menor que o capital necessário para começar um ‘Chinese Delivery’ em Nova York).
Falou também de injustiças e impunidades do sistema internacional, não defendendo a punição seletiva, como é a prática mais comum de acusar inimigos fáceis, mas criticando cultura da punição que acaba por criar uma cega impressão de justiça. 
Eu tirei uma casquinha, falei com ele em português, tirei uma foto e ainda recebi um elogio.
Emocionante!

14:56

2048 Project

Postado por Renata Cavalcanti Muniz |











A universidade de Berkeley e a minha escola, representada pelos professores Alfred de Zayas e Bruna Molina, inciaram um projeto para reescrever a declaração Universal dos Direitos Humanos chamado 2048 Project.

A idéia é, em 2048, quando a declaração completará 100 anos, ter um draft pronto para ser adotado pelos estados, como um documento vinculante.

A Declaração Universal de Direitos Humanos é o documento mais importante para a proteção dos Direitos Humanos, apesar de hoje já existirem outros documentos vinculantes de proteção aos direitos humanos [Convenções das cortes regionais de direitos humanos, o Pacto sobre direitos civis e políticos, o Pacto sobre direitos econômicos, culturais e sociais e outras convenções específicas]. O documento não é vinculante, mas alguns de seus artigos se tornaram normas jus cogens de direito international, o que significa dizer que elas se tornaram costume internacional, logo vinculante para todos os Estados, mesmo aqueles que não assinaram a declaração.

O documento, entretanto, tem várias falhas, a começar pelo fato de não ser um documento inteiramente vinculante. A universalidade do documento também é questionada, se os princípios de proteção aos diretos humanos são realmente universais ou são uma imposição do ocidente?

O projeto vai contra essa idéia e defende que existem alguns princípios são realmente universais. Para chegar a esses princípios o projeto conta com a participação da sociedade civil. Qualquer pessoa pode opinar na redação dos artigos com o objetivo de chegar a uma fórmula base, mais universal possível. Esse objetivo é também o desafio.
O projeto precisa da participação de pessoas de todos os continentes, para perder a imagem de uma idéia oriunda de uma universidade norte americana.

Claro que os criadores do projeto têm consciência de que a assinatura desse documento seria impossível nos dias de hoje, pois é quase senso comum que a maioria dos Estados não está preparada para restringir sua soberania em assunto de direitos humanos. Isso é triste, mas é a realidade.

Por esse motivo também, a data para conclusão do projeto é só 2048 e o que nos move é a esperança de que até lá a proteção aos direitos humanos evolua. Quando então os Estados tiverem prontos, existirá um rascunho de documento pronto, agilizando o processo.

O projeto também é uma porta aberta para estudantes publicarem seus artigos em um forum aberto para todos. Estudantes de todo mundo têm a oportunidade de publicar seus artigos acadêmicos relacionados a direitos humanos. O objetivo é que nossos projetos não fiquem perdidos nas estantes das universidades, mas estejam disponíveis para acesso por outros estudantes.

É possível fazer estágios digitais, ou seja, você não precisa estar em Berkeley para colaborar. Eu pretendo colaborar com a tradução para português, com a publicação de artigos e com o que mais aparecer.

Vamos colaborar!

12:28

A prova do Rio Branco

Postado por Renata Cavalcanti Muniz |

Escrevi quase um texto inteiro sobre a prova do Rio Branco, mas acabei por desistir dele. Não haveria nada de interessante em contar sobre quantas vezes eu fiz a prova ou sobre o que exatamente foi abordado esse ano.

Ao invés disso, percebi que seria mais interessante pensar o que significa fazer essa prova. Ou o que significa passar nessa prova. Primeiro, como ganhar o amplo conhecimento que ela requer? Resumindo: especialistas sabem profundamente sobre um tema. Terceiros-secretários recém aprovados no Itamary sabem profundamente sobre tudo. No fim, o que esperamos é que nem o aparentemente mais ínfimo conhecimento seja desperdiçado. E não será, se soubermos usá-lo.

A conclusão é que para ser aprovado não adianta apenas mergulhar nos livros, é preciso vivê-los. É preciso viver e sentir os temas para conseguir internalizá-los e tê-los como parte do seu ser. E é preciso ser muito complexo para abarcar tantos temas distintos. É preciso ter muitos interesses e não se entediar facilmente. E quebrar todas as barreiras matemáticas, ou históricas.

Parece um desafio tão impossível de ser alcançado, mas no fim é só o começo, ou o começo do fim. Verdadeiros problemas virão depois, nos corredores do mundo da diplomacia. Dificuldades ideológicas, ou emocionais.

Como é difícil escrever um português que não se fala, nem se lê. Como é difícil decidir responder, ou não, ou sim, ou talvez.

Como é difícil dedicar anos de estudo a 6 horas de prova. Abrir mão de seguir o caminho socialmente comum, para estudar. Soa muitas vezes impronunciável, ou apenas brega. Não, eu não estou fazendo dinheiro. Não, eu não estou em mais um emprego. Eu estou estudando. Eu estou criando conhecimento. Soa tão heterodoxo em um mundo de decisões pré-fabricadas.

Seguir sonhos e quem sabe alcançá-los? Não, não sabemos o que deve ser isso por aqui.

Eu não sei como medir se o conhecimento está realmente mudando alguma coisa em mim, mas eu tenho uma pequena impressão que estou no caminho certo.

12:38

Senso de brasilidade

Postado por Renata Cavalcanti Muniz |

Após 4 meses fora de meu país de origem, os traços do nacionalismo enraizado na minha personalidade começam a aflorar e tornam-se perceptíveis. Acho que já transpareciam há mais tempo, mas isso é detalhe.



Em plena Suíça, cheia de medos de imigrantes e culturas diferenciadas, minha faculdade é mínima, mas tem uma mistura de nacionalidades riquíssima. Quase todos os continentes estão representados. Como já era esperado, os Europeus são os mais presentes com italianos, alemães, belgas, suíços, franceses, espanhóis, húngaros, romenos, albaneses e outros. 

Da África temos representantes da África do Sul, da Nigéria, do Egito, do Kenya, de Zimbábue, de Macorros e de Seychelles, o que já garante uma diversidade dificilmente encontrada por aqui. Ásia e Oceania não estão tão bem representados, com exceção dos indianos e russos, que também se destacam. Curiosamente, não há chineses, ou japoneses.



A América se restringe à América do Norte. A América do Sul fica bastante pra trás. Somos apenas 3 brasileiros e uma colombiana na escola, mas a tendência é que esse número aumente, pois a procura de brasileiros tem crescido bastante.


O engraçado é que por ser uma escola tão multinacional e de diplomacia, somos como representantes dos nossos países. A necessidade de ensinar um pouco sobre nossa cultura e nossa história fala mais alto e quando a diversidade é a regra, parecemos querer reforçar nossas particularidades e divulgá-las. Enquanto no Brasil eu focava meus estudos na União Européia e na estrutura do sistema internacional como um todo, aqui eu tenho uma necessidade de retornar à América. Peças que a vida prega, eu vim a Europa estudar América do Sul, ou ensinar sobre...


Não apenas nos estudos,  cada vez mais, os problemas da supostamente perfeita Suíça vão sendo reforçados, os desafios e dificuldades brasileiros tornam-se possivelmente solucionáveis pela magia dos meus discursos. E claro, quando encontramos brasileiros espalhados por aí, nos sentimos um pouquinho mais em casa e o orgulho vai lá para o alto. O vídeo abaixo foi no mercado de natal de Montreaux. Acidade é pequena, mas o mercado é o maior da Suíça. Quando os brasileiros entraram pra tocar, ninguém conseguiu ficar parado. Nem que fosse pra mexer o pé. 





Li no blog de um amigo que aqui fora do Brasil o ‘senso de brasilidade’ dele fica mais aguçado. É, talvez não seja só eu, talvez não seja só aqui na Suíça, ou talvez esse seja só um mais um post de quem está com saudades de casa..

03:22

Neve + Ryanair = péssima combinação

Postado por Renata Cavalcanti Muniz |

O réveillon esse ano foi aqui em Lausanne mesmo. O plano era irmos a Madrid, mas a neve e a Ryanair não nos permitiram. Nós brasileiros estamos muito mal acostumados. A gente reclama de todos os serviços no Brasil. Lá, nossa companhia aérea Low-cost não é tão low-cost assim, mas temos direitos a amendoins e barrinhas de cereal, e o mais importante, em caso de cancelamento do vôo, a empresa ainda tem que respeitar alguns direitos do consumidor. Aqui na Europa, a Low-cost é low- cost (e eu diria que nem tanto em tempos de natal), mas em caso de cancelamento de vôos parece que ningugém nunca ouviu falar de direitos do consumidor.

A passagem era Milão - Madrid, pela Ryanair. Foi a forma mais barata encontrada pra chegar lá – 85 EUROS, duas pessoas com uma mala de 15 quilos. Como o aeroporto da Ryanair não era o de Milão exatamente – era de uma cidade próxima, Bergamo – achamos melhor ir mais cedo ao aoeroporto. Nevava muito e não conhecíamos o caminho.

Um trajeto de 15 minutos fizemos em 1 hora. Trânsito e caos na cidade por causa da neve. Chegando ao aeroporto a confusão já estava instaurada, mas em menor escala. Alnguns vôos já haviam sido cancelados, mas o nosso, só as 21:00, ainda estava no horário. Eram 19:00 hs.

A fila para acessar o balcão da Ryanair não parava de crescer e não parecia andar muito. Os vôos começaram a ser cancelados em cima da hora de partida. O nosso continuava on time. Fizemos o check in e vimos que lá dentro a situação não era muito promissora. A neve cobria parcialmente os aviões e completamente a pista. Caminhões cheios de neve entravam e saiam. Não tinha como um avião decolar no meio de toda aquela neve, mas nosso vôo não havia sido cancelado.

A situação era caótica. Alguns vôos de 15:30 da tarde estavam com o status de atrasado – eram 21:00. Centenas de pessoas já ocupavam qualquer espaço no chão a espera de alguma notícia. E tínhamos que esperar mesmo, por que não tinha nenhum funcionário da companhia aérea ou do aeroporto, para dar qualquer informação. Estávamos com personagens do filme A ilha, a espera do nosso nome ser chamado, no nosso caso, do nosso vôo ser cancelado.

Por volta das 23:00 da noite, acho que a Ryanair se deu conta que não ia dar mais pra nenhum vôo sair naquela noite e resolveu suspender todos os vôos until further notice. Todas as pessoas que tinham feito o check-in tiveram que sair, buscar suas malas e arrumar um lugar para passar a noite ou tentar reagendar sua passagem.
O problema é que a essa hora a cidade de Bergamo já não funcionava mais. Estava congelada pela neve. Não tinha taxi por causa do tempo. Não tinha gente na rua por causa do tempo. Só tinha um ônibus de emergência fazendo o trajeto estação de trem – aeroporto. Só que não tinha trem por causa do tempo.

O que todos nós fizemos? Ficamos no aeroporto. Eram aproximadamente 300 pessoas deitadas do chão do aeroporto de Bergamo lutando contra o frio de -7° C. O aeroporto fechou a áera do check-in e as pessoas tiveram que encontrar algum canto no meio da multidão. Não havia limites, as pessoas dormiam no chão, nas escadas, nos banheiros, nas esteiras e nas balanças de mala. As cadeiras viraram camas. Os casacos viraram camas. As malas viraram camas. Duas lojas de comida ficaram abertas, mas a fila era constante, e claro, de manhã, a água acabou.

A fila do balcão da Ryanair não saiu do lugar. Dormiram todos lá, juntos. A espera da moça voltar e o balcão abrir. O pessoal do aeroporto também não teve como sair de lá, mas ficaram nas salas internas do aeroporto como os sãos de Ensaio Sobre a Cegueira que não queriam se misturar com a loucura dos cegos, que no nosso caso, do lado de fora tentavámos sobreviver.

Não tivemos escolha, literalmente, nos amarramos na mala e dormimos no chão.
No outro dia o caos não melhorou, e os vôos continuaram sendo cancelados em cima da hora. Todos os vôos do dia 21 e 22 de dezembro foram cancelados... Enfim conseguimos voltar pra casa e resolvemos passar o Natal e Réveillon por aqui mesmo...

09:49

Em 2010 eu vou criar um blog

Postado por Renata Cavalcanti Muniz |




Nada como completar a primeira resolução de ano novo. Em 2010 eu vou criar um blog, para contar minhas experiências como estudante na Suíça, discutir acontecimentos, discutir relações internacionais, reclamar das coisas que não dão certo na vida, contar as coisas boas, falar de filmes e livros, matar saudades dos amigos, escrever... falar com o mundo, botar para fora o que vier na cabeça. Blog criado, pronto para o que vier em 2010. E que venham muitas coisas boas para contar!

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